125: Seis Graus de Perfeição.

A matéria foi, a princípio, criada por Deus que lhe depôs no seio os germes específicos de todos os seres. Estes germes ou rationes seminales, mais tarde, em condições favoráveis, acceptis opportunitatibus, desenvolveram-se na sua plenitude específica. A criação foi, pois, instantânea, Deus creavit omnia simul. A narração mosáica dos seis dias não implica distinção ou sucessão de tempo, mas apenas exposição doutrinal das diferentes espécies de criaturas dispostas segundo seis graus de perfeição.

(Leonel Franca, Noções de História da Filosofia. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1965, p. 80).

125: Seis Graus de Perfeição.

124: Time So Spent is Time Lost.

Among us there is a zeal of teaching which is not inspired by progressive knowledge. The whole of the literary and philosophical teaching in Oxford is in the hands of young men — the tutors of the colleges. As a class these men abound when they begin life in energy and ability. They overflow with zeal, and the ambition to act upon their pupils. But the zeal is not the zeal of the enthusiastic votary of science, who sees a vista of infinite progress opening before him, and desires to associate younger minds in following up the track. The young teacher as turned out by us has never been on any such track. He is an honour-man and a prize-man; voilà tout! and he knows the sure road to make others win honours and prizes, the road by which he himself won them. Even if he has better aspirations, he must not indulge them. He is embarked on the career of teaching, at twenty-five, say; and he finds himself at once the slave of a great teaching engine, which drives him day by day in a round of mechanical work. There is no stepping aside; if you fall out of the ranks, you perish. Study, or research, or self-improvement, is out of the question. The most conscientious tutor has the least leisure for his own purposes, as he is most anxious to do justice to his pupils. The desire of knowledge in the tutor who has once entered the lists of competition with the other tutors, if he ever possessed it, first becomes dormant, and then dies out. The teacher must not lose a moment in teaching a subject, in searching out its foundations, in inspiring his pupils with a love for it, with a desire to pursue it in a spirit of thoroughness. He must crowd into the year and a half of preparation a miscellaneous assortment of ready-made propositions upon the leading topics of philosophy, history, politics, and literature. Our system has gradually become one which carefully excludes thoroughness. It is the exaltation of smattering into a method. If the teacher goes about to give instruction in a subject, the pupils fall away from him. Their instinct tells them that time so spent is time lost. Hence the prize-student never goes near the professors. Many of our professorial chairs are filled by eminent men, masters in their department, and willing to give instruction in it. The existence among us of such men is of incalculable value. Few as they are, they are the salt without which the university would indeed have little savour. But they are entirely outside the practical working of the Oxford schools. If there are professors who undertake the work of preparing young men for the examinations, they act thus in the capacity of tutors, and are less sought after in this capacity than younger men fresh from the schools, whose zeal is more alert, and whose interest is fresher. It is a recognised fact that the younger tutors are better than the middle-aged men, and that advance in thought and knowledge creates a gulf between the teacher and his scholars, who carefully keep away from such men, as persons who cannot help them towards the attainment of a first-class. What the aspirant for honours requires is a répétiteur, who knows the schools, and who will look over essays for him, teaching him how to collect telling language, and arrange it in a form adequate to the expected question. It soon becomes indifferent to the teacher on what subject he lectures. The process of training for the race is the commanding interest. Training, be it observed, not intellectual discipline, not training in investigation, in research, in scientific procedure, but in the art of producing a clever answer to a question on a subject of which you have no real knowledge.

(Mark Pattison, “Philosophy at Oxford,” Mind, Vol. I, No. 1, January 1876, pp. 88–89).

124: Time So Spent is Time Lost.

123: Os Dez Princípios da Sociedade Erótica.

1 — Em toda obra pública, o aspecto estético será superior ao acabamento técnico e funcional;

2 — O excesso de esperteza individual é diretamente proporcional à imbecilidade coletiva;

3 — “Povo pobre é povo burro” (Gilberto Amado);

4 — Para os amigos, marmelada; para os inimigos, bordoada; para os indiferentes, lei neles! (Pinheiro Machado e outros);

5 — Deixa como está para ver como fica (Taoísmo político segundo Getúlio Vargas);

6 — Nunca faças hoje aquilo que pode ser feito amanhã, nunca despaches o documento que pode ser despachado por outro;

7 — Na sociedade erótica, a única lei que é obedecida é a lei do menor esfôrço;

8 — “A única lei que falta é a que manda cumprir todas as outras” (Capistrano de Abreu);

9 — “Só os idiotas são objetivos” (Nelson Rodrigues);

10 — Na burocracia — o pessoal expande-se para encher o tempo disponível de ociosidade.

(J.O. de Meira Penna, Psicologia do Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: APEC Editôra, 1972, p. 178).

123: Os Dez Princípios da Sociedade Erótica.

121: Constant Repair.

Friendship, “the wine of life,” should, like a well-stocked cellar, be thus continually renewed; and it is consolatory to think, that although we can seldom add what will equal the generous first growths of our youth, yet friendship becomes insensibly old in much less time than is commonly imagined, and not many years are required to make it very mellow and pleasant. […]

The proposition which I have now endeavoured to illustrate was, at a subsequent period of his life, the opinion of Johnson himself. He said to Sir Joshua Reynolds, “If a man does not make new acquaintance as he advances through life, he will soon find himself left alone. A man, Sir, should keep his friendship in constant repair!”

(James Boswell, The Life of Samuel Johnson, Vol. 1. London: George Routledge & Sons, 1885, p. 225).

121: Constant Repair.

120: A Blow with a Word.

It is an old saying, “A blow with a word strikes deeper than a blow with a sword;” and many men are as much galled with a calumny, a scurrilous and bitter jest, a libel, a pasquil, satire, apologue, epigram, stage-play or the like, as with any misfortune whatsoever. Princes and potentates that are otherwise happy, and have all at command, secure and free, quibus potentia sceleris impunitatem fecit, are grievously vexed with these pasquilling libels and satires; they fear a railing Aretine, more than an enemy in the field, which made most princes of his time (as some relate) “allow him a liberal pension, that he should not tax them in his satires.”

(Robert Burton, The Anatomy of Melancholy. London: Duckworth & Co., 1905, p. 446).

120: A Blow with a Word.

119: Um Bandido Literário

Tempos houve, em que a difamação era, com efeito, uma potência. […]

Para se avaliar o que foi esse domínio tenebroso, bastaria tomar na história um quadro, mas o quadro por excelência da malignidade, a vida do Aretino, aquele que, entre todos, por antonomásia se poderia chamar, no sentido grego, Diábolos, o caluniador. O nome desse salteador do espírito comensura, na Renascença, a queda moral da Itália, e dá-nos as proporções gigantescas da soberania do mal, nas épocas em que um bandido literário podia exercer sobre a sociedade apavorada o monopólio da pena.

O inverossímil nas surpresas da fortuna seria incapaz de gerar outro assombro como a carreira desse personagem, filho de cortesã, que, criminoso e foragido aos treze anos, se aluga fâmulo de um mercador, serve a um cardeal, explora a domesticidade do futuro Clemente VII, toma a cogula de capuchinho em Ravena, depois, sob Leão X, tentado pela atração da corte de literatos, histriões e aventureiros, que o rodeia, despe o hábito, corre a Roma, e veste a libré do Vaticano. A catástrofe da Igreja e da Itália revela-o a si mesmo. O saque de Roma, o cativeiro do Papa, a agonia da cristandade ocidental, a profanação da Cidade Eterna rejubilam a alma do lacaio, a quem as calamidades da pátria apenas despertam o apetite de insultar e pedir. Tendo percorrido todos os graus da mendicidade e da libertinagem, elege afinal em Veneza, onde se fala e escreve livremente, o homizio das baixezas da sua vocação e das vitórias do seu cinismo.

Dali o sicário do libelo reqüesta os favores do mundo, estende a mão à Itália inteira, a cristãos e infiéis, ao Grão-Turco, a Clemente VII, a Paulo III, a Júlio III, à púrpura dos cardeais, à coroa dos príncipes, ao balcão dos banqueiros, a Carlos V, a Francisco I, ao condestável de Montmorency, ao rei de Inglaterra, aos artistas, a Solimão, a Barbarroxa. O erotismo dos seus sonetos embriaga os devassos, o veneno dos seus epigramas intimida os hesitantes, a lama dos seus aleives afoga os rebeldes. Já ninguém lhe resiste. Da impunidade do seu trono mendicante no fundo do Adriático ele senhoreia a Itália toda. “Com uma pena e uma folha de papel”, diz ele, “zombo do universo.” Nada em contribuições e honrarias. Carlos V fá-lo cavalgar à sua direita. Júlio III, o pontífice, oscula-o na fronte. Gaba-se de ser “o oráculo da verdade e o secretário do mundo”. É o distribuidor universal da glória e da desonra. O seguro contra esta, a assinatura contra a maledicência compra-se a peso de oiro nas antecâmaras do antigo serviçal de Chigi, agora padroeiro das letras e Mecenas da Renascença.

Tirano da opinião prostituída, imprime no frontispício dos seus livros: “Pedro Aretino, homem livre pela graça de Deus”. Torpe libelista, a si mesmo se aclama o flagelo dos príncipes. Vê-se cavalheiro de S. Pedro e por pouco não chega a príncipe da igreja. Mas tem dela as mais monstruosas apologias. Os púlpitos sublimam-no acima dos santos padres, comparam-no aos maiores discípulos do Cristo, chamam-lhe a coluna do templo, a lâmpada do santuário, o filho de Deus. Especulando indiferentemente com os apetites mais vis e os sentimentos mais altos, vê aos seus pés os escritores, os poetas, os gênios. Ticiano o corteja, Ariosto dá-lhe o título de divino. Só a castidade austera de Miguel Ângelo, o evocador dos profetas e das sibilas, lhe recusa obstinadamente, para as suas galerias, um fragmento de mármore, um escorço, um trapo de papel, sagrado pelo contacto do mestre. Então o crápula, habituado a comerciar indistintamente com a lascívia, a obscenidade e a devoção, o requintado cantor dos Sonnetti lussuriosi, o especialista em romances de lupanar, o estribeiro do imperador luterano nas suas excursões triunfais pela devastada metrópole do catolicismo, acusa de ateísmo e impureza o severo escopro do estatuário e a palheta divina do pintor, exorta o bispo de Roma a cobrir a augusta indecência do Juízo Final ostentada à face dos altares, e a ameaça com a Inquisição, argüindo-o de luteranismo, o grande inspirado.

(Rui Barbosa, “A Difamação.” In: Campanhas Jornalísticas, Vol. 2. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998, pp. 249–251).

119: Um Bandido Literário