123: Os Dez Princípios da Sociedade Erótica.

1 — Em toda obra pública, o aspecto estético será superior ao acabamento técnico e funcional;

2 — O excesso de esperteza individual é diretamente proporcional à imbecilidade coletiva;

3 — “Povo pobre é povo burro” (Gilberto Amado);

4 — Para os amigos, marmelada; para os inimigos, bordoada; para os indiferentes, lei neles! (Pinheiro Machado e outros);

5 — Deixa como está para ver como fica (Taoísmo político segundo Getúlio Vargas);

6 — Nunca faças hoje aquilo que pode ser feito amanhã, nunca despaches o documento que pode ser despachado por outro;

7 — Na sociedade erótica, a única lei que é obedecida é a lei do menor esfôrço;

8 — “A única lei que falta é a que manda cumprir todas as outras” (Capistrano de Abreu);

9 — “Só os idiotas são objetivos” (Nelson Rodrigues);

10 — Na burocracia — o pessoal expande-se para encher o tempo disponível de ociosidade.

(J.O. de Meira Penna, Psicologia do Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: APEC Editôra, 1972, p. 178).

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123: Os Dez Princípios da Sociedade Erótica.

18: Já Sabe…

Já formado pela Faculdade de Direito do Recife, Sílvio Romero começara a aparecer na imprensa do Rio de Janeiro, com larga exibição dos mestres alemães, que fazia questão de citar nos textos originais.

Foi então que um grupo de escritores decidiu constituir uma pequena turma para estudar a língua de Goethe com o prof. Carlos Jansen. Sílvio Romero cita quatro: Ferreira de Araújo, Sousa Bandeira, Machado de Assis e Capistrano de Abreu.

Conta o próprio Sílvio: “Como acontecesse, por aqueles dias da criação do novo curso, que ele, Sílvio, encontrasse o próprio Jansen na Secretaria do Império e o consultasse acerca de certa passagem do Gartenlaube, de Leipzig, Jansen me convidou para ir também ser seu discípulo, ao que contestei — não o fazer, por já ter algum conhecimento da língua, tomado comigo mesmo no Recife, e por estar então tomando lições com o venerando barão de Tautphoeus, além de que, preocupando-me imensamente mais com as idéias, doutrinas, teorias, pouco me importava o aprofundado saber de qualquer língua. — Eis aí. Boca, que tal disseste! Jansen, na primeira ou segunda reunião que teve com seus discípulos, contou-lhes a história, e esta proliferou maldosamente na cabeça do terrível intrigante Capistrano. Nunca mais a esqueceu; cultiva-a com carinho e a vai passando a todos os Veríssimos que aportam ao Rio de Janeiro.”

Por volta de 1945, quando o autor destas linhas foi trabalhar na Biblioteca Nacional, no gabinete de Rodolfo Garcia, então seu diretor, teve a oportunidade de ouvir do mestre, grande amigo de Capistrano de Abreu, e seu companheiro na preparação da edição definitiva da História do Brasil de Varnhagen, uma outra versão do mesmo episódio e que, a ser fato verdadeiro, explicaria de modo mais plausível a reação de Sílvio Romero, alcançando em cheio a figura de Machado de Assis.

Por essa versão, que nos parece aceitável, Carlos de Laet, sempre de língua afiada para o comentário mordaz, figuraria entre os alunos de alemão do prof. Carlos Jansen. E dele teria partido a sugestão de que Sílvio Romero, a despeito dos autores e das obras em alemão que diariamente exibia nos seus escritos, poderia ser convidado para integrar a turma, sobretudo depois da consulta que fizera ao professor…

Machado de Assis, que não teria em boa conta as relações pessoais com Sílvio Romero, não teria contido o comentário mordaz, no tom gaguejado que lhe era próprio:

— Infelizmente… o Sílvio… não pode mais aprender… porque espalhou… que já sabe…

(Josué Montello, Os Inimigos de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, pp. 165–166).

18: Já Sabe…