289: Leia Cícero.

Para aprender a arte de escrever pelo estudo dos modelos, não é necessário lerem-se muitas obras.

O essencial é que sejam boas.

S. Cipriano lia continuamente Tertuliano.

Santo Agostinho, Tertuliano e a Bíblia eram os livros preferidos de Bossuet.

Rousseau não largava Montaigne e Plutarco.

Amyot e os autores latinos produziram Montaigne; e os trágicos gregos, Racine; Chateaubriand relia sempre Bernardim de Saint-Pierre.

Todos os nossos escritores foram grandes leitores, inclusivamente José de Maistre.

A crermos Lamartine, nas suas Confidências, Maistre devia ter “lido pouco.”

Ora Maistre, pelo contrário, desde a idade de vinte anos, fazia compilações, em que “analisava e resumia as suas leituras; lendo sempre, de pena na mão, amontoava, naqueles arsenais de ciência, a erudição, que admirou todos os seus leitores.”

Sabe-se que La Fontaine se reconheceu poeta, com a leitura de uma ode de Malherbe, e que tomou primeiramente aquele autor por modelo.

Em seguida, leu Marot, Rabelais e a Astreia de Urfé, onde nem tudo é mau.

Só então compreendeu que a ingenuidade e o pinturesco eram a sua verdadeira vocação.

Só deveu a Malherbe o seu nascimento poético, como disse muito bem Chamfort.

Grócio aconselhava aos homens de Estado a leitura dos poetas trágicos.

Aguesseau, bom escritor, lia-os também.

Arnaud conhecia bem o fruto que se pode tirar da leitura atenta de um autor. Como lhe perguntassem o que eram preciso fazer para se obter bom estilo, respondeu:

— Leia Cícero.

— Mas, — tornou a pessoa que o consultara, — eu queria aprender a escrever bem em francês.

— Nesse caso, — tornou Arnaud, — leia Cícero!

(Antônio Albalat, A Formação do Estilo pela Assimilação dos Autores. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1950, pp. 30–31).

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289: Leia Cícero.

272: Adorável Freio.

Acerca do poder da opinião, que Pascal tratou primeiro, amplamente têm falado os modernos escritores. Um dos maiores arrojos, que Rousseau aventurou em política, lê-se no Discurso acerca da desigualdade das condições. “O primeiro que tapou um terreno, e disse: isto é meu, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.” É quase, palavra por palavra, a terrível idéia que o solitário de Port-Royal exprimiu com mais veemência: “Este campo é meu, diziam essas pobres crianças, tenho um lugar ao sol: eis aí o exórdio e a imagem da usurpação da terra inteira.”

E eis aí um desses pensamentos que fazem tremer por Pascal. No que viria a parar esse grande homem, se não fosse cristão? Que adorável freio é essa religião, que sem nos empecer de espraiar por largos horizontes a vista, nos embaraça a queda no despenhadeiro!

(François-René de Chateaubriand, O Gênio do Cristianismo, Vol. 2. Rio de Janeiro: W.M. Jackson Inc., 1948, p. 47).

272: Adorável Freio.

183: Uma Falsidade do Juízo.

O mau gosto, tornado incorrigível, é uma falsidade do juízo, um viés natural nas idéias: ora como o espírito atua sobre o coração, dificultoso é que as vias do segundo sejam retas, quando as do primeiro não o são. Quem ama a deformidade, em época de mil obras-primas que podem advertir e emendar o gosto, não está longe de amar o vício: quem é insensível à beleza, não admira que despreze a virtude.

(François-René de Chateaubriand, O Gênio do Cristianismo, Vol. 2. Rio de Janeiro: W.M. Jackson, Inc., 1948, p. 90).

183: Uma Falsidade do Juízo.

149: On All Fours.

Rousseau appealed to nature in everything. What we call civilization was to him a mere artificial form. His plea was to be natural, come back to the point where nature leaves you. Rousseau came from Switzerland to France, and at an opportune time for him; for there was a great ferment of ideas at this epoch. He was struggling along in Paris, barely securing a livelihood, when there came the offer from the Academy of Dijon of a prize for an essay on the progress of the arts and sciences, whether it has tended towards the purification of morals and manners. The negative side suggested itself more forcibly to him, as he was better fitted for it by his mode of living and morals, and by his literary style, and he found himself at once a “censor of civilization.” This essay was soon followed (1752) by one on the origin of the inequality among men. The great tension produced by the artificiality of the civilization of the Court life of the time had caused men to become anxious to get back to a simplicity of living, and Chateaubriand painted the charms of the forest life of the Indians. In this reaction the meaning of civilization is ignored. Man emancipates himself from drudgery and compels nature by the forces of his intellect to feed and clothe him. The “Social Contract” followed (1762) this with an attack on the authority of the State; and in the same year his Émile undermined the School and the Church: and so he attacked all the social institutions one after another — the family, civil society, the Church and State. He proposed to sweep all away by summoning them before the bar of his individual judgment and condemning all. In the opening paragraph of his Émile he declares that everything which comes from nature is good, while everything degenerates in the hands of man. The antithesis of civilization is savagery, and Voltaire wittily exposed the fallacy of Rousseau’s teaching in his letter accepting the book. He said — “never has anyone employed so much genius to make us into beasts. When one reads your book he is seized at once with a desire to go down on all fours.”

(William Torrey Harris, “The Philosophy of Education,” Studies in Historical and Political Science, No. 1, 1893, p. 6).

149: On All Fours.

91: Glory.

It is nevertheless a question whether style is not requisite for the perpetuation of facts. Voltaire has done no disservice to the fame of Newton. History, who punishes and rewards, would lose her power, if she could not paint. But for Livy, who would remember the elder Brutus? but for Tacitus, who would think of Tiberius. Cæsar has himself pleaded the cause of his immortality in his Commentaries, and he has won it. Achilles exists only through Homer. Take from the world the art of writing, and you would probably take away glory along with it.

(François-René de Chateaubriand, The Natchez: An Indian Tale, Vol. 1. London: Henry Colburn, 1827, p. 14).

91: Glory.