350: Se Fôra Perfeita a Justiça.

Grande é a responsabilidade de quem escreve:

Agitar idéias é mais grave do que mobilizar exércitos. O soldado poderá semear os horrores da fôrça bruta desencadeada e infrene; mas enfim o braço cansa e a espada torna à cinta ou a enferruja e consome o tempo. A idéia, uma vez desembainhada, é arma sempre ativa, que já não volta ao estojo nem se embota com os anos. A lâmina do guerreiro só alcança os corpos, pode mutilá-los, pode trucidá-los, mas não há poder de braço humano que dobre as almas. Pela matéria não se vence o espírito. A idéia do escritor é mais penetrante, mais poderosa, mais eficazmente conquistadora. Vai direito à cidadela da inteligência. Se a encontra desapercebida (e quantas inteligências desaparelhadas para as lutas do pensamento!) toma-a de assalto, instala-se no seu trono e daí dirige e governa, a seu arbítrio, tôda a atividade humana. Pelo espírito subjuga-se a matéria.

Quantos crimes que se atribuem à fôrça e são filhos da idéia! Se fôra perfeita a justiça humana, muita vez, não sôbre o braço que vibrou o punhal assassino, mas sôbre a pena que semeou a idéia homicida, é que deveriam pesar os rigores da sua severidade.

(Leonel Franca, A Igreja, a Reforma e a Civilização. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1948, p. 7).

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350: Se Fôra Perfeita a Justiça.

125: Seis Graus de Perfeição.

A matéria foi, a princípio, criada por Deus que lhe depôs no seio os germes específicos de todos os seres. Estes germes ou rationes seminales, mais tarde, em condições favoráveis, acceptis opportunitatibus, desenvolveram-se na sua plenitude específica. A criação foi, pois, instantânea, Deus creavit omnia simul. A narração mosáica dos seis dias não implica distinção ou sucessão de tempo, mas apenas exposição doutrinal das diferentes espécies de criaturas dispostas segundo seis graus de perfeição.

(Leonel Franca, Noções de História da Filosofia. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1965, p. 80).

125: Seis Graus de Perfeição.